O amor pelo futebol, de mãe para filha

 

Hoje, peço licença para um texto mais autoral. Mas não poderia haver momento mais oportuno para sua publicação...

Minhas primeiras lembranças futebolísticas são bem, bem longínquas. Lembro-me vagamente da movimentação em casa para a Copa de 1982, de sentar ao lado do meu pai e fazer milhares de perguntas. 

Lembro-me mais claramente de 1986. De ganhar um uniforme da seleção escrito "México 86" e com o número 10 "do Zico" atrás. De chutar uma bola pela sala, reproduzindo o pênalti do Zico - e sempre acertando. Do duelo Argentina X Alemanha Ocidental e de ver meu pai dividido - por um lado, era demais ver Maradona jogar; por outro, o coração na terra do vovô. 

Lembro-me com exatidão de todas as outras Copas, dos álbuns de figurinhas, das tabelas e bolões, torcer na rua, em casa, de uniforme, de pijama, com pipoca, com cerveja, com risos, choro e unhas roídas.

O amor pelo futebol não se explica. Apenas se sente. E, aparentemente, vem gravado no DNA... 

Graças a meu pai, sua paciência infindável e sua ausência de preconceitos futebolísticos, sou uma apaixonada. Pelo meu time do coração, pela seleção do meu país, pelas seleções que adotei, mas também pela bola bem jogada. E transbordou para outros esportes - vôlei, basquete, rugby, futebol americano. 

Vendo a empolgação da Peeps pela casa, com a camisa do Brasil, vibrando com os jogos da Copa, as lembranças de 82 ficam um pouco menos turvas em minha mente. E começo a imaginar o que meu pai sentia àquela época. Se era algo próximo ao que, hoje, invade meu coração...

É inexplicável ver um pequeno ser que faz parte de você ali, ao seu lado, com os olhos brilhando a cada gol, imitando seus gestos, torcendo pelas mesmas seleções, conhecendo os nomes de alguns jogadores. Reclamando quando um jogo termina. Distraindo-se - lógico, ela tem apenas três anos - mas acompanhando um tempão a partida ali, ao seu lado.

Toda festa empolga as crianças. Isso é fato - cores, música, movimento, gritos e bandeiras são extremamente atrativos para os pequenos. Mas é exatamente assim que começa. 

Hoje, pela festa. Amanhã, pelo esporte. 

E no futuro, quem sabe, esse amor será novamente perpetuado para mais uma geração. 

Nada é certo. Mas a semente foi plantada. E hoje, amanhã, semana que vem, tenho uma companheira incrível para curtir a Copa do Mundo comigo.

 

por Clau Nicolau - 17 de junho de 2014