Socorro!!! O que aconteceu com o meu bebê?...

Hoje peço a licença de vocês para rolar um momento desabafo. Terapia internética no último grau da escala da neurose. Mesmo. Então... para onde foi o meu bebê???

A coisa foi rolando aos poucos, na verdade. Logo depois que ela fez um ano, seu tamanho "acima da curva" nos fez comprar uma nova cadeirinha de carro. O bebê conforto já era um desconforto só. Precisava de algo para uma menina mais "crescida".

Depois, em fins de setembro do ano passado, transformamos o berço em minicama, preservando assim a integridade física de nossa pequena pessoinha exploradora. Não somente ela curtiu a novidade, como não deu quase trabalho para se acostumar (menos quando o pai estava em casa, mas aí já é um capítulo à parte).

No começo desse ano, passou a "comer sozinha" o almoço de todos os dias, mesmo com a sujeirada que vinha de brinde. Se na escola ela se alimentava sem ajuda dos adultos, em casa a coisa tinha que andar parecido...

Logo veio o desfralde. Muitas calcinhas, muitas roupas pra lavar, e muita revolta na hora de colocar a fralda da noite (ou da viagem de carro mais extensa). As malas ficaram gordinhas de novo, mas de "partes de baixo" emergenciais.

Até aí, tudo estava tranquilo. Como já disse, a coisa foi tão paulatina que, de fato, consegui encarar com a maior naturalidade. A maionese começou a desandar (pra mim, porque ela está feliz da vida!!!) na semana passada, com o fim de uma era: a mamadeira de leite. 

Sim, ela se rendeu ao escambo, e trocou a mamadeira pela cozinha e geladeira que tanto queria. Está feliz e saltitante. fritando ovos, fazendo "cãpiqueiquis" (cupcakes na língua da Peeps), dando leite e comidinha para seus "bebês"... Uma mocinha crescida.

Oi??? Como assim, mocinha crescida???

Pois é. Nessa semana, os últimos vestígios de que um dia houve um bebê na minha casa ficarão para trás. Embalamos e guardamos o bebê conforto, o cadeirão, a banheira e o trocador. Três sacolas grandes de brinquedos "de bebezinho pequeno" (segundo a ex-proprietária, do alto de seus dois anos e QUASE três meses) foram separadas para doação. As mamadeiras foram para o lixo. As fraldas, substituídas pelas de modelo "pull-ups", e devidamente escondidinhas (porque ela tem vergonha mesmo). 

Agora, o que se vê são brinquedos de menina grande. Coisas de casinha e de veterinária. Coleção de Polly, Lalalloopsy, mini princesas com minirroupas de silicone, pequenos pôneis. Bonecas, carrinho de bonecas, fralda de bonecas. Uma mini bola de futebol de couro. Um triciclo que mais parece uma bicicleta. Livros (mas nenhum de pano ou de banho, esses ela não quer mais). Canetinhas, massinha, lápis de cor, cadernos pra "escrever" e "desenhar". Copos de plástico altos (sem alças ou bicos) para o leite da manhã. Carrinhos (mais precisamente, o Relâmpago e o Mate), dinossauros e até um Pikachu. Instrumentos musicais (mas de verdade - um Ukulelê, uma pandeirola, e logo virá um pianinho de madeira).

Meu bebê cresceu. Minha pequenininha já dá beijos estalados, só pede colo quando está com sono ou doentinha, faz dengo de outro jeito. Se despede de mim na escola dizendo "boa tarde lá na Escola da Vila". Conversa comigo os 16 quilômetros diários, canta, conta o que aconteceu na escola, pede (MUITAS) coisas, se lembra do final de semana. Pede para que eu ligue para a mãe da amiga ("quero fazer um piquenique com a Ninoca, liga pra Tati, mamãe?"). 

Diz que "estava pensando", que "quero fazer uma perguntinha", que tem medo (de palhaço e do Homem Aranha). Diz que sente saudade. Diz que ama. Diz que não gosta, que está "muito brava", que foi "uma boa amiga".

Pergunta por quê. Muitas vezes, todos os dias. Pergunta quando é, mesmo sem ter a mínima noção da passagem de tempo. Escreve cartinhas, embora não saiba o que é letra, número e desenho. Fala para o cachorro de estimação que "tá tudo bem, eu tô aqui com você", quando este se agita por algum motivo. 

Emburra. Embirra. Quer fazer valer a sua vontade. Chora. Grita. Faz beiço. Argumenta. "Filha, vou te dar a cozinha, mas você não acha que pode me dar a mamadeira E a chupeta?" E a resposta, bate-pronto: "Então me dá a casa da Barbie!!!"...

Meu neném cresceu. Já não cabe na banheira, nos culotes e bodies, nas roupas de babadinhos. Quer calça com caveira, quer o colete vermelho, a echarpe, a bolsa, os óculos de sol. Quer pintar as unhas "de cor de rosa", "de cor de roxo", "de cor de verde", como a mãe faz. Quer ir ao shopping ver livros e vitrines de roupas e Melissas. Diz "ai, que pequenininhooooo!!!!" para bebês uns três centímetros menores do que ela. 

É assustador. Ainda ontem ela cabia no sling, e andava como um "pacotinho" comigo pelas ruas de San Francisco. Ainda ontem ela não falava nada, e cada choro era uma tentativa interminável de decifração. 

Mas ela cresceu. Disse que estava com sono, me deu boa noite e foi deitar em sua cama. Sem a mamadeira. E dormiu. Pra acordar amanhã ainda mais crescida, cheia de sonhos, vontades e opiniões. Cada vez mais longe do bebê que eu trouxe para casa em 10 de março de 2011.



por Clau Nicolau - 4 de junho de 2013





 

 

Crescida e independente...

Ai, ai, ai!!!

Blusão Le Lis Petit e legging Nosh. Triciclo Radio Flyer (dobrável, leve e liiindo!!!).

Pés descalços, na grama. Pra aproveitar mesmo.